O colecionador
Colecionar pode ser encarado como uma coisa de criança, ou algo menos comum aos adultos que o fazem muitas vezes de forma profissional. Acho que ainda não tinha 14 anos quando comecei a organizar as receitas da família, da minha mãe, mais precisamente. Ela já havia iniciado um trabalho de escolha de melhores receitas, e foi nessa época em que estive o mais perto da vida profissional que já conhecera até então.
Lembro-me muito bem das coxinhas, haviam muitas receitas de coxinhas, e bota muitas nisso, mas ela guardava todas mesmo que só usasse uma, então pra que guardar todas as outras?
A partir dessa pergunta eu comecei a ser um profissional de gastronomia.
Separei todas as receitas escritas com o mesmo título, as 50 coxinhas tinham muitas repetições, outras substituíam 4 colheres por meia xícara, ou seja pior do que o tradicional trocar 6 por meia dúzia.
As melhores foram separadas, detalhes do modo de preparo de outras também e as receitas começaram a ser reescritas e no título nada de coxinha maravilha ou coxinha fantasia, se tivesse alguma coisa diferente como, por exemplo, uma massa de batata, era assim que ficava registrada: coxinha com massa de batata.
O trabalho foi longo, ou melhor, continua até hoje. 
Na última contagem cheguei às 105 mil receitas, absurdo isso? Então imagine fazer uma por dia, eu repetiria a primeira depois de 287 anos e meio, loucura né?
Eu ganhei e continuo ganhando muitas dessas receitas de alunos e amigos, pessoas que mudaram de casa e gente que gosta do meu trabalho, muitas outras vieram dentro dos livros comprados e não houve uma viagem em que eu não trouxesse uma nova.
Na fase blogueiro continuei recebendo as receitas dos amigos do chef e somando à tantas outras.
Se você tiver alguma receita que queira compartilhar comigo e com os leitores do blog fique à vontade para enviar,




